quinta-feira, 6 de outubro de 2016

A zoeira não pode parar???? Muita calma nessa hora!

Foto: Fernanda Alves | Bailarino: Felipe Duarte
Não é de hoje que vemos artistas conhecidos nacionalmente ou internacionalmente que publicam algo ou tem algum comportamento que gera uma repercussão negativa. E ninguém perdoa.
A mídia e as pessoas que não acompanham ou não gostam do artista vão pra cima, e eis aí uma pessoa naquela roda eterna dos amiguinhos da pré escola que te pega pra Cristo.
É sabido que em alguns casos, a vacilada é daquelas que vão contra princípios, agride ou fez de alguém uma vítima do artista que precisa perceber as suas ações, responsabilidades ou falta de responsabilidade. Mas até que ponto somos pessoas que buscamos de fato esclarecer o outro? Até que ponto estamos na ânsia de defender uma vítima do tal formador de opinião? Ou estamos ainda vivendo aquela fase que parece não passar na vida adulta de: "precisamos ter alguém na roda para nos sentirmos útil", precisamos elevar o podre alheio para mostrar ou provar o quanto somos bons, evoluídos e o outro um lixo?



  Para tudo deveria existir limites ou a consciência individual de trabalhar os próprios limtes. Até mesmo na hora de condenar a ação de alguém. Além de trabalhar o  limite (visto a liberdade que as redes sociais sugere), precisamos avaliar a melhor forma de trabalhar o melhor na pessoa que julgamos como infeliz em suas publicações ou ações.

Foto: Fernanda Alves | Bailarinos: Felipe Duarte e Michelle Silva
É muito fácil falar que um artista caiu no mundo das drogas por ser fraco, é fácil dizer que o cara não foi capaz de sustentar a fama, não foi alto suficiente ou competente. Difícil é se dar conta de que você também pode ter colaborado diretamente mesmo que em baixa dose para o fracasso de alguém. Este é o mundo do: cada um por si, e Deus? Sabe-se lá onde foi parar. Porque a pessoa que cai no buraco, no buraco ficará. O próprio meio artístico que muitas vezes acolheu, deu a mão, aquele abraço e registrou uma Selfie ao seu lado enquanto estava em alta é o primeiro a te deixar queimar quando você deixa de ser aquele artista exemplar e cai no erro de ser apenas um ser humano. Aquele que falha, erra e foi ensinado pela religião "perdoai 70 X 7", "Amai ao próximo como a ti mesmo", mas não vê estes ensinamentos valendo para si. Esqueceram de grifar o ensinamento mais importante "não esqueça... Se baterem em sua face dê o outro lado, sempre e sempre, e para sempre". Isso sim é o que todos esperam de você. Uma face calejada e resistente. E por favor, não chore, não reclame, não tente se explicar. Abaixe a cabeça, peça perdão e siga as regras. E continue lúcido, ou peça para sair!!!

É humano julgar,claro que é. Mas seria ser uma pessoa de bem não saber a hora de parar, de abraçar, de dar uma segunda chance?

Foto: Fernanda Alves | Bailarinos Felipe Duarte e Michelle Silva
Não seria mais profissional, os profissionais que vêem um colega tendo um momento de humanidade chamá-lo  com carinho conversar e tentar mostrar que aquilo pode prejudicá-lo. Sem usar da falha para mostrar o quanto você é legal e maduro se aproveitando da situação para auto promoção? Tipo, no PARTICULAR? Afinal de contas, caridade é sinônimo de amor e o que uma mão faz a outra não precisa ver, certo?

Por mais profissional, equilibrado, comercial que você seja em sua vida, no mundo artístico, lembre-se: Cascas de bananas existem aos montes espalhados pelo chão. E uma hora pode ser você que vá com seu "popo" de encontro ao solo nada acolhedor. Pode doer muito e as risadas de quem passa ou viu o tombo pode constranger e doer ainda mais. E nesse momento, você pode clamar por uma alma amiga que te estenda a mão, te levante, sorria, te abrace e diga: "foi engraçado esse escorregão, mas foi falta de atenção. Mas bora lá!" Te dá um abraço, te pega pela mão e ao seu lado caminha sem medo de ser julgado por estar ao lado do artista, mais também humano. Que caiu, mas levantou e com certeza o vacilo servirá de aprendizado e aquela ação terá contribuído para que você haja assim com outros numa situação difícil.

Gentileza gera gentileza, a gente com certeza um dia ainda vai se dar bem!!!!

OUÇA
Uma trilha mara para inspirar Clique aqui --->  Gentileza gera gentileza 

Imagens que contidas nesta publicação:

Trabalho de PTCC terceiro semestre da turma 2B da Etec de Artes - Técnico em Dança.
                   Michelle Silva: https://www.facebook.com/michelle.silva.39750121?fref=ts
<3 p="">

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

A música te escolhe ou você escolhe ela?

Quem nunca suspirou com uma ou muitas músicas árabes que só de ouvir tirou o folego? Rapidamente adotamos aquela maravilhosa música e lá vamos nós. Fica ainda mais maravilhoso quando percebemos que aquela nova sequência, daquele último workshop se encaixa perfeitamente em trechos que ao repetir no ipod te faz querer dança-la ainda mais. Você começa seu desenvolvimento coreográfico e foca em técnica, movimentos de impacto. Entra em crise quando mesmo depois de tantas repetições não percebe a sua dança alcançando aquele Tchan da música que te fez escolher ela. Você vai para o palco, acaba sendo especial, mas aí você desce e sente aquela insatisfação. Começam as análises técnicas. Meu pé não estava na meia ponta, os braços MEEEEU DEUS, arranca estes braços... E nos consolamos com a ideia de: "sou muito crítica, detalhista e exigente comigo mesma". Ter senso crítico é maravilhoso para o crescimento e desenvolvimento. Mas será que não tá na hora de dançar suas vivências? Seu passado, seu presente e por que não o seu futuro?

Antes de escolher a música do momento, a nova, inédita e cheia dos paranauê, ou porque bailarina Fulana, Ciclana e Beutrana dançou, tente entender o que seu corpo, sua alma e suas emoções lhe pede pra dançar?

Como assim Elaine?

Vou relatar a experiência que vivi nas minhas duas últimas apresentações e vou dividir porque tem sido tão maravilhoso que guardar seria muito egoísmo.

Inta Omri.


Essa era a música que eu escutava e escutaria eternamente na sala de casa, a luz de velas, olhando o céu a noite, mas jamais, jamais dançaria.
Vi uma colega desabar litros quando em uma aula a professora colocou Inta Omri pra ela improvisar, sem saber que ela (aluna) tinha uma relação bem complicada com esta música. E foi babado. Olhei pra professora e falei: "Não precisava ter feito isso". Enquanto a prof me olhava assustada e com um grande ponto de interrogação na cara. Quando expliquei o disparo que foi a saída da minha colega da sala ela disse: "É bom trabalhar coisas mal resolvidas, vai ser bom pra ela". Engoli seco, porque tinha grande proximidade com aquela pessoinha e sabia os detalhes das questões e da relação daquela música com a história que foi revirada. Achei pura maldade.
Foi quando determinei: " está Inta Omri foi feita pra sofrer. Gosto de ser feliz quando danço. Não danço ela mais é nunca".

Passado 6 anos, me peguei na sala de casa separando algumas músicas para trabalhar em aula e de repente, Inta Omri. Senti uma vontade de ouvi-la e de repente estava com meu corpo se movendo pela sala de olhos fechados e com o fone no ouvido. Abro os olhos e dou de cara com a  minha mãe me olhando no corredor e sorrindo. Ela disse: "Continua, tá tão lindo"
Sorri de volta sem graça e disse que estava só fazendo graça. Arrastei Inta Omri para as músicas que um dia poderia dançar.
Passou alguns meses e recebi o convite para dançar no Estúdio da Erica Seccato, convite feito pela Erica e Babi. Fiquei na luta tentando encontrar uma música. De preferência de muito impacto, alto astral, daquelas que só não dança quem não quer. E lá fui eu na minha pastinha de músicas super Fight e no meio destoava uma, Inta Omri. Escuta ela e soltava um "OWN" manhoso. Tentei dançar todas, mas só Inta Omri fazia sentido. Então começaram as lembranças das cobranças sobre o que é interpretar Inta Omri. Muita responsabilidade. Chacoalhava a cabeça pra tentar tirar aquela ideia da cabeça. Não consegui, até sonhei. Parei e me perguntei: "Por que quer dançar essa música?". Foram dias, acho que semanas meditando e descobri. Primeiro, não sou a mulher que rasga seus sentimentos para o tal homem amado, então como interpretar algo que não sei como é ser? Foram diversas perguntas, reflexões até entender que eu queria dançar a paixão, que faz tempo não dá o ar da graça como toda aquela intensidade de me fazer pegar o ônibus errado, passar do ponto, deixar as pessoas falando e torcer o pé num buraco na rua porque estou distraída pensando no crush. Essa sensação que rola por aqui e que sim, em algum momento joga o medo de não ser correspondido pro alto e tenta só provar um pouquinho deste sentir tão maravilhoso.
Assim estudei. Não coreografei, eu explorei, testei movimentos que me gerava sensações semelhantes a de quando estou apaixonada.
Resultado final. Quando vi o vídeo, gostei. Porque voltava a sensação. Depois de rever algumas vezes e voltar a atenção para a técnica percebo muitas coisinhas para melhorar, mas a experiência foi deliciosa.

Vídeo da minha apresentação: Elaine Keite - Inta Omri


Happy Hips


Comecei a preparação para a formatura das minhas alunas e inicialmente a preocupação é com elas. Coreografia delas, ensaios extras, roupas, preparar o psicológico e o emocional (a maioria apresentaria pela primeira vez). Depois a preocupação com as convidadas. Aguardei o envio de todas as  músicas pra não correr o risco de escolher alguma repetida e como eram convidadas jamais diria para alguma trocar porque eu já tinha escolhido. Faltando uma semana para a minha apresentação, na segunda feira, sentei com algumas alunas que chegaram mais cedo e mostrei algumas músicas. Escolhi as mais conhecidas, moderninha. Seria fácil se fosse improvisar e não desse tempo de montar coreografia. Algumas meninas sinalizaram a música que acharam mais legal, mas nenhuma me motivava. Na terça tirei a manhã pra revirar as pastas de músicas que ainda não tinha ouvido. Antes parei pra pensar o que queria dançar. Descobri que queria dançar felicidade e a alegria que foi organizar este evento, a alegria de ver minhas alunas tão engajadas mesmo tão novinhas na dança com uma postura de profissionais, comprometidas no talo. Feliz de poder ter com a gente amigas, mas que são mais do que pessoas de convivência comum, são pessoas que admiro profissionalmente e que se disponibilizaram com tanto carinho. Mesmo não sendo um momento fácil profissional e pessoal estava alegre em perceber coisas maras acontecendo. E queria viver isso, queria homenagear e dançar a alegria que me nutria. E aí ouvi. Aquela música era a alegria simples. Daquela que começa singela e de repente quando percebida é vivida intensamente. Happy Hips, fui ver a tradução (sou péssima no inglês) e a tradução? Quadris felizes.
Ouvi ela a semana inteira e só consegui dançá-la na sexta um tiquinho. Não deu tempo de coreografar. No dia da formatura das alunas pensei: "bom, se não sair grandes coisas pelo menos tenho pessoas que vão arrasar e tudo bem se eu passar desapercebida". Comecei a assistir as apresentações e todas, sem exceção começaram a me lembrar o que eu queria dançar. Olhava pra elas na convivência de camarim, algumas se conheciam outras não e tava tão gostoso. Olhava o público e eles também foram inspiração. Os olhos dos convidados das alunas e profissionais entusiasmado. Brilhando quando viam a filha, a namorada, a irmã, a amiga... Aí que maravilhoso.
Antes de entrar o que me veio foi: "Não pode sair qualquer coisa, a dança vai ser pra eles e pela alegria que cada um me dispensou neste processo".
E assim dancei minha felicidade, alegria e satisfação nutrida por cada um deles. E foi muito melhor do que poderia ter planejado.
Se eu for avaliar técnica, vou achar defeito, mas foi especial o momento, o sentir.

Não sei se escolho a música ou se ela me escolhe. Mas sei que eu escolho a dança que naquele momento quero ou posso trabalhar pra oferecer. De preferência de dentro pra fora. De preferência colocando meu desejo, meu sentir, meus sentimentos, pra quem sabe assim um dia me comunicar com o mundo a volta e ouvir respostas ou criar um diálogo sincero.

Vídeo da minha apresentação: Elaine Keite - Happy Hips


E você como é seu processo? Conta pra mim, vamos trocar e assim nos ajudar e crescer sempre!!! <3 p="">



terça-feira, 19 de maio de 2015

O que me fez chegar a Etec de Artes

Um belo dia entrei na sala de aula e passei a observar mais minhas alunas, a minha metodologia, o que não funcionava, o que funcionava.

Olhava aqueles corpos diferentes em tamanhos e formas enquanto se movimentavam. Notava que durante a execução, algumas tinham mais "facilidade" enquanto outras se esforçavam muito. Isso me deixou inquieta. Sim, fiz um curso de formação profissional, onde estudei anatomia e patologia. Mas quanto daquele conhecimento que  foi passado me trazia a clareza necessária para entender as dificuldades que aconteciam ali, com as alunas e agora em mim enquanto as observava?

Algumas semanas após estas observações, uma conversa banal iniciou na recepção do Estúdio 3 Bailarinas e uma professora começou a falar sobre um problema nos joelhos. Apesar de atuar a menos tempo que eu, sempre foi perceptível sua vocação. Ela estudou em academias de dança e em algum momento antes mesmo de se tornar professora ou iniciar sua carreira como bailarina, iniciou seus estudos na Anhembi Morumbi em DANÇA. E naquela conversa, naquela explicação,  percebi alguns termos técnicos sendo utilizado em meio a palavras simples e gestos para que todas ali, professoras e alunas entendessem. Fiquei atenta aos assuntos dessa professora. Hora outra ela falava de técnicas que eu desconhecia, falava de teorias, de Laban, de Klaus e a empolgação era nítida. Me peguei várias vezes sentada em um puff, com a mão no queixo viajando em cada informação que ela passava. Durante a conversa era como se cada palavra fosse um alimento que me causava ainda mais fome. E pelo conhecimento que ela compartilhava, vi uma possibilidade de sanar minha dúvida sobre minhas alunas.

Contei a ela algumas inquietações e marcamos uma aula. Muitas coisas se clarearam em minha cabeça depois daquela dia e principalmente, percebi que precisava buscar mais do que movimentos ou estilos da Dança Árabe novos para aplicar em aula. Se o básico em alguns corpos minha didática não atingia, então bora parar tudo dar um reset e entender esse "fazer nada" (exercícios de consciência corporal) que prepara seu corpo para dançar.

Dez anos sem sentar em uma carteira, o trabalho com a dança ainda não me possibilitava meios para bancar uma faculdade de dança que alguns já devem saber, é um belo investimento. 
A mesma professora que me despertou a querer entender mais sobre meu corpo e das minhas alunas me indicou a ETEC de Artes. Foram dois anos até o dia em que criei coragem e me inscrevi no vestibulinho.

Minha numeração na primeira prova de
aptidão
Fácil não foi. Como disse, estava a dez anos sem saber o que era teorema de pitágoras. A primeira prova foi conhecimentos gerais.  Acredito que só passei, porque minha fé era maior do que a dúvida sobre minha inteligência e capacidade. Quando visualizei no site que entre 295 pessoas eu estava entre as 90 que ainda passariam por duas provas de aptidão, foi só um dos mais altos gritos soltos a 5h da manhã que saiu da minha garganta. Comemorei muito (aprendi que tudo até as mais simples conquista devem ser brindadas e compartilhadas) e foi o que eu fiz. As provas práticas também  não foram fáceis. 
Existe uma banca que é formada por professores da Etec de vários seguimentos de dança. E um dos professores  passavam os exercícios, uma única vez e em seguida cada candidato com o número marcado no braço, iniciava o que havia entendido. 

Estado do joelho após a primeira prova
de aptidão.
Dançamos no chão, de pé, de pé e no chão outra vez. Ali foi avaliado consciência corporal, nada de código desta ou daquela 
dança. 

Vi pessoas de todos os seguimentos de dança e outras que jamais dançaram ou aprenderam dança em academias. Bailarinas do Ballet clássico, onde se notava a técnica e postura só no andar, meninas que vieram da ginástica olímpica entre outras modalidades que te fazem ficar de boca aberta com um simples movimento caso resolvam executar. Dei graças a Deus pelas tais inquietações que me fizeram sair do código que condicionei meu corpo, das mesclas de estilos que aplicava na dança árabe, na mente e coração aberto para dançar sozinha, em grupo ou a dois. De ter estudado movimentos no chão. Dei graças aos exercícios de contato que apliquei em sala com as minhas alunas sem ter ideia se aquilo não era pura viagem da minha cachola inquieta (descobri que não era viagem).  Tudo isso junto e a vontade enorme de saber mais, foi o que trouxe uma vaga entre 30 que foram disputados por 90 candidatos.


Muitas das perguntas que levantei quando parava para racionalizar, as impressões que o mercado me trazia me deixavam inquietas ainda mais. Mas como bater no peito e expôr sem um embasamento? Sem o auxilio de grandes teóricos ou profissionais?

Hoje estar na Etec é um mundo de novas descobertas e de validação que outrora só pareciam maluquices da minha cabeça.

Indico à todos que querem seguir a carreira profissional que se dê a oportunidade de tentar fazer este curso. Farei algumas postagens sobre minhas vivências neste lugar e o resultado do mesmo no meu trabalho. 

Posso garantir que este lugar me tirou do comodismo, do pensamento minimizado. Destruiu minhas certezas e esta construindo o incerto mais certo. Aquele certo, o segredo da vida dançante, o certo de que ali todas as complicações se reduzirão a pó. E toda força desnecessária de pensamentos e tensão muscular serão desnecessárias em minha vida e na das minhas alunas. Amém!!!

Agradecimentos:

A linda amiga e parceira de trabalho por me despertar para o caminho que não sabia onde encontrar. Bárbara Luiza, você é só a pessoa mais generosa e de coração puro que conheci e não me canso de repetir isso.

A todas as minhas amigas da dança. Cada uma com sua maneira me incetiva e me ajuda nessa caminhada.

Aos que não são da dança, mas não são menos valiosos. Amigos que entendem minha loucura e compreendem minha ausência em festividades, mas podem contar comigo porque sei que nesse quesito vocês são mais que presentes.

A minha mãe que dificilmente me parabeniza ou me elogia. O seu papel por aqui é mostrar que não faço mais do que minha obrigação. E isso me dá forças para lutar com ou sem armas. No fundo dos seus olhos, ou na extensão do telefone ouvindo suas conversas enquanto se gaba com suas amigas sobre meu trabalho e conquista, sei o quanto se orgulha da sua filha cheia de falhas.

Agradeço à todos os meus professores. Os que me ensinaram um código, uma cultura, que um dia me fizeram acreditar que seria capaz de desenvolver um estilo baseado na minha consciência. E agradeço aos novos que estão chegando para me mostrar que a consciência que aqui existe é minima perto do que ainda posso desenvolver, que preciso ler muito, refletir, opinar e escrever sobre. Que teoria faz parte e apreciar outras artes nos estimula a criar algo novo e diferente do que já tem as dúzias. De que o "NÃO" não existe e que a hierarquia existe em forma de respeito. Que o aluno em desenvolvimento é um ser que deve ser tratado com cuidado para não ser podado em pleno desenvolvimento. 

E agradeço as minhas alunas que estão comigo de perto acompanhando essa transformação. Que muitas vezes gera dúvidas, mas que tem fé que busco um melhor não só para mim, mas para cada uma delas, que sempre me abraçam com amor, carinho e são os meus incentivos maiores nessa profissão.

A Deus só agraço por tudo. Principalmente pelas provas, dificuldades e lutas. 

Célula apresentada na prova de aptidão da ETEC de Artes



Todas as pedras lançadas estão se transformando em degraus para minha escada.
(Elaine Keite)




segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Ser Bailarina ou Ser professora? Ser tudo ou nada? Meu mundo e as grandes interrogações que por aqui hábitam


O Ministério da Saúde Adverte.

 Antes de ler este post, abra o coração. 

 Não se trata de um texto para você refletir sobre suas escolhas ou sim. 
 Você escolhe como utilizá-lo.
 Mas aqui se faz uma opinião, reflexão e possíveis meios para uma re
solução de quem o escreve.



 Percebo que nos últimos tempos, minha vida tem sido vários pontos de interrogação.
 Eis aí uma coisa que tira a paz de qualquer ser humano. O tempo todo temos perguntas e nossa maior inquietação é encontrar rapidamente as respostas. Sem antes, refletir pacientemente sobre os motivos das questões levantadas internamente. 

 Uma das que fez tremer toda a base dançante e certa que estava por aqui, foi:

  O que me faz feliz de fato na minha profissão?
  Ser Bailarina? Ser professora ou Ambas? 
  Eu, Elaine Keite consigo levar ambas com o comprometimento e a qualidade necessária para me sentir realizada?

 Iniciei o meu momento vegetativo (como diria minha mãe). Parei, congelei o olhar em um único ponto. Nem parecia respirar.  Dentro da minha caixa craniana um bolo de informações se conectam, se esbarram e a impressão que tenho é que tudo parece ser um bando de fio desencapado que a qualquer momento causará uma pane geral no sistema. Numa dessas cenas, me peguei pesando: O que me traz um sorriso largo e de realização no final do dia?

 Ali se deu o início a uma batalha

 SER Bailarina X SER Professora

 Poderia fazer uma lista bem grande de prós e contras sobre ambas. E fiz, mentalmente. E ali vieram outras perguntas. Então me dei conta que meu desejo era focar no meu trabalho como professora. 
 Já ouvi muito e percebo isso no dia-a-dia, que se bailarina tem sido o meio para se provar  boa como professora. Essa bailarina vitrine, não só precisa ser boa tecnicamente, mas requisitada para só então as pessoas notá-las e ter a curiosidade de estar na sala de aula com a mesma.  
 Dá medo perceber que pra se sentir plena é necessário fazer uma escolha que vai totalmente contra as regras mascaradas (ou não) que ainda existem no mercado. Não vou generalizar, mas esse discurso de: Preciso dançar bem, me promover como bailarina para aí então encontrar meu lugar ao sol como professora, esta presente o tempo todo

 E uma das coisas boas que o Ser Bailarina trouxe para minha vida, foi: Confiança

 Eu não quero fazer do meu ser Bailarina, uma arma para provar minha competência como professora.  Quero subir no palco por um único motivo: Porque quero, não porque quero e também preciso.

 Infelizmente ainda validamos muito as dificuldades que esta profissão carrega. A parte financeira é um bom exemplo. O "preciso" algumas vezes se dá a isso. E por isso muitas vezes ficamos em cima do muro quando se faz presente o desejo por um dos lados. E saltar  para um dos lados parece ser cruel e prejudicial.

 Pesando ambos os lados concluí que eu Elaine, me sinto um tanto egoísta quando bailarina. É o meu crescimento, o meu desenvolvimento, a minha validação, o meu lado financeiro.  Pensar em mim é bom sim. Por isso ora ou outra este lado se fará presente e necessário. 

 Enquanto quando se tem a sensação do "ser" professora que não desenvolve somente a si quando estuda, mas a tantas outras. Que pensa no seu ponto de vista, mas precisa avaliar outros. Que sabe ao que seu corpo responde e que seu corpo não é o centro da técnica, única e exclusiva e que precisará buscar mil formas e meios para as alunas entenderem as propostas e principalmente executá-las. Ver o milagre nas alunas que antes se moviam pelo "NÃO consigo" e agora o que as movem são os deslocamentos, dissociação, movimentos sinuosos e um belo sorriso. Ah...! Como não assumir?



  Preciso definitivamente levantar as mãos do "Ser" professora e dizer: Te valido e te quero plena aqui dentro. Sem medo de ser feliz e consciente de que sua realização pode sim vir através de outros corpos, no plural. Não somente no meu, no Singular.

 Definitivamente a sala de aula é o meu lugar diário. E o palco meu templo de agradecimento. E sou feliz assim!
 (Elaine Keite)


                                     Meu canal no You Tube Playlist das Sequencias de aula